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O mercado de recepção de TV aberta via satélite (TVRO) atingiu dimensões relevantes no Brasil, alcançando mais de 17 milhões de lares após forte crescimento nos últimos quatro anos. Agora, com a perspectiva de evolução tecnológica de conversores TVRO, a indústria busca formas de monetização e a manutenção de preços do produto em patamares acessíveis.
O tema foi discutido por representantes da radiodifusão, da indústria, de operadoras de satélites e de telecom durante o Congresso Latinoamericano de Satélites, evento promovido pela Glasberg Comunicações e TELETIME no Rio de Janeiro.
Tiago Tolentino, da área de assuntos regulatórios para tecnologia da Globo, destacou que o crescimento do TVRO nos últimos anos, a tecnologia já alcança praticamente 24% dos lares do País. O público é majoritariamente das classes C, D e E, sendo que Maranhão e Piauí possuem as maiores bases proporcionais do serviço.
Tolentino recorda que a nova TVRO teve início em 2022, com a migração da TV aberta via satélite para a banda Ku. Desde então, a plataforma tem crescido - seja via compras espontâneas de receptores no varejo (o que responde por dois terços do mercado) ou a partir de políticas de distribuição de kits para inscritos em programas sociais.
A Globo nota que em 2024, o TVRO chegou a alcançar um pico de mais de 700 mil ativações mensais. Hoje esse volume de novos usuários seria bem menor (pouco acima dos 200 mil ao mês). Mas como os receptores atuais não têm possibilidade de update, a evolução tecnológica da TVRO deve ser uma alavanca para futuras trocas de aparelhos.
O caminho vislumbrado aproximaria o receptor daquele projetado para a TV 3.0: entre as novidades podem estar o incremento de IP, software atualizável (para que o equipamento perdure) e recursos como publicidade dinâmica, mensuração, guias de programação (EPG, na sigla em inglês) e acessibilidade.
Cristian Fernandes, gerente de negócios de satélite da Claro Empresas, destacou que a tele já está apostando no novo padrão para a TVRO, inclusive tendo apresentado o chamado TVRO 2.5 [ https://teletime.com.br/21/08/2026/claro-tvro-2-5/ ] em agosto. O profissional destacou a necessidade dos novos recursos, de uma padronização tecnológica e de novas formas de uso da tecnologia - mas com um olho no custo do produto.
"A TVRO ganhou popularidade em função do custo. Então se a caixa triplicar ou quadruplicar de preço, a adesão vai ser muito pequena. O objetivo da TVRO 2.5 que anunciamos é agregar funcionalidades da TV 3.0, mas sem triplicar o preço", afirmou Fernandes.
Já Fábio Alencar, VP de vendas para mídia da SES, destacou a necessidade de se pensar em novos modelos de monetização junto aos praticamente 18 milhões de lares que usam a tecnologia. Ele apontou o valor analítico do perfil do usuário como um grande trunfo e indicou que, internacionalmente, modelos de monetização similares já estão sendo implementados. "Somando o DTH, existem mais de 20 milhões de lares assistindo TV via satélite. Não dá para dizer que seja um mercado irrelevante", disse.
No caso da SKY, a monetização já é parte da estratégia atual para TVRO, relatou Sérgio Ribeiro, diretor-geral da SKY Brasil e executivo à frente da Nova Parabólica (operação apartada que explora o segmento). A estratégia é oferecer ao usuário a opção de contratar serviços pré-pagos da SKY, além da TVRO.
Ribeiro afirma que a operadora está satisfeita com a estratégia e concorda que o futuro da TVRO passa por oferecer novas features. Mas, mais uma vez, o custo surge como ponto de atenção: para a SKY, é o preço do receptor que vai ditar a adoção de novas gerações da tecnologia.
Corrida do ouro chegou ao fim
Em paralelo, Sérgio Ribeiro notou que com a redução do volume mensal de ativações da TVRO, a "corrida do ouro" em torno da fabricação de receptores chegou ao fim. O momento atual seria de "depuração" do mercado, rumo a um cenário com menos fabricantes.
Cláudio Blatt, CEO da Elsys e também presente no debate, reconheceu que o momento é desafiador e que a venda mercantil dos aparelhos TVRO não tem sido mais um negócio tão lucrativo.
Entre as variáveis que explicam esse cenário está a crise dos chips de memória (que deve durar pelo menos mais dois anos, com aumento nos custos), e a queda no preço dos receptores no varejo, que passaram de mais de R$ 300 no início da adoção da TVRO para menos de R$ 100 atualmente.
"Acredito que 100% dos receptores estarão conectados algum dia, mas em qual timing e qual benefício econômico para a cadeia, a gente ainda não sabe". apontou Blatt.
Por outro lado, a Elsys avalia que segue existindo mercado para adoção da atual geração do TVRO. "Passamos a primeira onda, mas ainda existem pequenos mercados para explorar", disse o CEO, citando locais com baixa disponibilidade de canais de TV aberta e o próprio mercado de reposição da base instalada de receptores.
Com informações do site Teletime, do dia 01 de Outubro de 2026.
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