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Arthur C. Clarke: O criador do satélite de órbita geo-estacionária
Marcos Benni  23.03.2021, 11:05:23

O cientista, astrônomo, escritor, ficcionista Arthur C. Clarke foi criador do conceito de órbita geo-estacionária. Nascido em Minehead, Somerset, a 16 de dezembro de 1917, na Inglaterra, é autor de mais de 80 obras, grande parte delas de ficção científica e outras de ensaios científicos, contos e romances, sendo a mais conhecida O Sentinela, levado ás telas como 2001: Uma Odisséia no Espaço.
 
Na altura de 1975, Arthur C. Clarke tinha sua residência em Colombo, no Ceilão (atual Sri Lanka) e recebeu do Governo Indiano, como cortesia, uma instalação de TVRO, cuja montagem ele coordenou. A referida instalação de TVRO tinha como objetivo a recepção de sinais do satélite geo-estacionário ATS-6, lançado pela NASA, especificamente um sistema experimental de transmissão dirigido a vilas indianas, projeto SITE (Satellite Instrutional Television Experiment). Esse sistema foi concebido por Stephen J Birkill, enquanto um engenheiro de transmissão da BBC (British Broadcasting Corporation), um dos conhecidos pais da TVRO, juntamente com Bob Taggart, H. Paul Shuch, H. Taylor Howard.
 
Ao instalar-se no Ceilão e poder desfrutar de uma instalação de TVRO, Arthur C. Clarke estava desfrutando de inúmeras possibilidades que os satélites geo-eastacionários iriam proporcionar anos à frente, sendo ele o conceituador dos satélites geo-estacionários.
 
Já em 1945, Arthur C. Clarke, no seu Extraterritorial Relays, artigo de ficção científica, propunha a utilização de satélites artificais, como estações elevadas a milhares de quilômetros sobre a Terra, para o estabelecimento de uma rede de comunicação, com domínio sobre nossa extensão territorial, muito maior do que qualquer outra forma convencional de re-emissão de sinal poderia estabelecer. Ele propunha o emprego de satélites em órbita sobre o equador terrestre, numa altitude de aproximadamente 36.000 km e com muma revolução de aproximadamente 24 horas, mais precisamente 23 horas 56 minutos e 4 segundos, de tal forma que os mesmos acompanhassem a Terra na sua rotação diária e que um observador fixo no solo pudesse ter, sempre ao seu alcance, aquelas estações elevadas, aqueles satélites artificais. Em Terra, considerou-se que seriam necessários potentes transmissores, para garantir que os sinais, com a atenuação, não só atingisse os satélites artificiais, na emissão, como também retornassem á Terra, em níveis satisfatórios para captação. Essa era a concepção inicial. Por outro lado, seriam suficientes apenas três estações elevadas, espaçadas entre si 120 graus, para abrangerem, em cobertura, toda a superfície terrestre, com exceção das regiões polares, a partir de uma determinada latitude, não visíveis do plano do equador terrestre, na altitude considerada.
 
Em homenagem à sua concepção, a órbita geo-estacionária que abriga os satélites de comunicação geo-estacionários ou geossíncronos é também conhecida como Cinturão de Clarke.
 
Os seus trabalhos científicos, os seus ensaios, a sua imaginação visionária contribuiram sobremodo para o estabelecimento de todos os sistemas de comunicação geo-estacionários de que toda a humanidade desfruta, através dos sinais dos satélites que orbitam a Terra num movimento sincronizado.

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